Alcatra Assada no Forno com Batatas: Receita Irresistível e Cheia de Sabor

Há receitas que ficam na memória por causa do prato em si, e a alcatra assada no forno com batatas é uma dessas para mim. Lembro-me de a primeira vez a cheirar a alho esmagado, louro e vinho branco a misturar-se com a carne ainda crua, enquanto o forno já aquecia a cozinha toda. Era daqueles domingos compridos, em que a casa parecia andar mais devagar, e eu ficava ali a espreitar o tabuleiro, quase impaciente, à espera daquela crosta dourada que só a alcatra bem assada consegue ter.

Descobri esta receita em casa de uma tia-avó, que fazia tudo “a olho”, o que me irritava na altura, porque eu queria medidas certinhas. Mas a verdade é que foi com ela que percebi o essencial: a alcatra não gosta de pressa. Se a marinada estiver bem feita e o forno fizer o seu trabalho com calma, a carne fica tenra e as batatas ganham aquele sabor incrível do molho. Houve uma vez, ou melhor, várias, em que me passei da cabeça e abri o forno de cinco em cinco minutos; resultado: carne mais seca e batatas menos felizes. Aprendi da forma difícil.

Ingredientes

  • 🥩 1,2 kg de alcatra de vaca
  • 🥔 1,2 kg de batatas pequenas ou médias
  • 🧄 6 dentes de alho
  • 🧅 2 cebolas grandes
  • 🍷 200 ml de vinho branco
  • 🫒 80 ml de azeite
  • 🍋 1 colher de sopa de sumo de limão
  • 🌿 2 folhas de louro
  • 🌶️ 1 colher de chá de colorau
  • 🧂 Sal q.b.
  • 🌶️ ⚫ Pimenta preta q.b.
  • 🌿 Salsa picada q.b.

Eu costumo usar alcatra de vaca com alguma gordura entremeada, porque assa melhor e fica mais suculenta. Se a peça vier muito limpa, também dá, claro, mas depois convém não a deixar secar no forno. Quanto às batatas, prefiro as pequenas, porque assam por igual e apanham o molho todo. Se não tiverem batatinhas, podem usar batata em quartos, só têm de vigiar um pouco mais para não desfazerem demasiado.

O vinho branco não precisa de ser nada pomposo; uso sempre um vinho seco, daqueles que eu também beberia à mesa. O azeite é importante, não só para temperar, mas para ajudar a criar aquele molho brilhante e saboroso. E o colorau, sinceramente, foi uma descoberta que me ficou; numa fase eu punha demasiado e a carne ficava com um sabor mais pesado. Agora ponho só o suficiente para dar cor e profundidade, sem roubar protagonismo à alcatra assada no forno com batatas.

Modo de Preparo

  1. Comece por preparar a marinada. Num alguidar ou tigela grande, misture o alho picado ou esmagado, o vinho branco, o azeite, o sumo de limão, o colorau, as folhas de louro, sal e pimenta. Envolva bem a alcatra nesta mistura. Eu gosto de a massajar com as mãos, porque sinto logo se o tempero ficou bem distribuído. Sim, é um bocado arriscado andar com carne crua nas mãos, mas depois lava-se tudo muito bem.

  2. Deixe a carne a marinar pelo menos 2 horas. Se puder ficar de um dia para o outro, ainda melhor. Na verdade, foi num desses dias em que a deixei toda a noite no frigorífico que percebi a diferença: a carne ficou mais aromática e macia. Se estiver com pressa, 30 minutos ainda ajudam, mas não é a mesma coisa, pronto.

  3. Pré-aqueça o forno a 180 °C. Enquanto isso, descasque as batatas e as cebolas. Corte as cebolas em meias-luas grossas e disponha-as no fundo de um tabuleiro grande. Isto faz uma espécie de cama para a carne e evita que agarre. Já me aconteceu, numa versão menos atenta, deixar a carne diretamente no fundo do tabuleiro e ela colar ligeiramente; não foi o fim do mundo, mas foi chato a raspar depois.

  4. Coloque a alcatra no tabuleiro, por cima da cebola, e deite por cima toda a marinada. Junte as batatas à volta, envolvendo-as com algum molho. Se notar que o tabuleiro está muito seco, acrescente um fio de azeite ou um gole de água quente. Eu já usei caldo caseiro em vez de água e ficou muito bem, mas sinceramente, se a marinada estiver boa, não precisa de grandes invenções.

  5. Cubra o tabuleiro com papel de alumínio durante a primeira parte da cozedura e leve ao forno durante cerca de 1 hora. Este passo ajuda a alcatra a cozinhar de forma mais suave e a manter a suculência. Aprendi isto depois de insistir, numa fase muito teimosa, em assar tudo destapado do início ao fim. Resultado? Uma carne mais ressequida do que eu queria. Desde então, o papel de alumínio é meu aliado.

  6. Ao fim da primeira hora, retire o alumínio, regue a carne com o molho do tabuleiro e mexa as batatas com cuidado. Volte a levar ao forno por mais 30 a 40 minutos, até a alcatra ficar dourada e as batatas macias por dentro e ligeiramente estaladiças por fora. Se quiser um toque mais tostado, aumente a temperatura para 200 °C nos últimos 10 minutos, mas só se estiver atento. O que eu não faço agora é sair da cozinha nessa fase, porque basta um bocadinho e passa do dourado ao seco.

  7. Quando a carne estiver pronta, retire-a e deixe repousar 10 minutos antes de cortar. Isto parece um detalhe, mas faz mesmo diferença. Uma vez, sem paciência, cortei logo a alcatra assada no forno com batatas e perderam-se todos aqueles sucos bons no prato. Desde então, espero sempre. Enquanto isso, polvilhe salsa picada por cima para dar frescura.

  8. Sirva a alcatra fatiada, acompanhada das batatas e do molho do tabuleiro. Se quiser, pode juntar uma salada simples de alface e tomate para equilibrar, mas, honestamente, há dias em que o tabuleiro já é a festa inteira. E quando sobra, que às vezes sobra, no dia seguinte ainda fica muito boa aquecida lentamente com um fio de molho por cima.

Houve até um acidente feliz que vale a pena contar: numa vez em que me esqueci do limão na marinada, pensei que a carne ia ficar mais pesada, mas como deixei a alcatra a marinar mais tempo e usei cebolas mais doces, o resultado acabou por ser excelente, mais redondo e reconfortante. Foi aí que percebi que esta receita aguenta pequenas falhas, desde que haja respeito pelo tempo de forno e pela qualidade dos ingredientes. No fundo, a alcatra assada no forno com batatas é isso mesmo: simples, caseira e com espaço para a nossa mão.

Conclusão

Para mim, esta alcatra assada no forno com batatas não é só um prato principal; é uma espécie de reencontro com os almoços de família, com as conversas demoradas e com aquela sensação boa de casa cheia. Ao longo dos anos fui afinando a receita, percebendo quando vale a pena insistir na marinada e quando é melhor não mexer demasiado no forno, e isso mudou completamente o resultado. Se fizerem esta receita, vão ver que não é preciso complicar para ter um prato mesmo saboroso. Experimentem, ajustem ao vosso gosto e, se quiserem, contem também a vossa versão — porque as melhores receitas, afinal, vivem sempre um bocadinho em cada cozinha.

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