Quando me apetece um prato de mar com presença, volto muitas vezes ao polvo à lagareiro. Gosto da forma como o azeite quente, o alho laminado e as batatas a murro enchem a cozinha de aroma, enquanto o polvo assa e ganha brilho sem perder a ternura. É o tipo de refeição que me faz abrandar o ritmo e pôr pão na mesa antes mesmo de começar a servir.
Ingredientes
- 🐙 1 polvo limpo com cerca de 1,5 kg
- 🥔 1,2 kg de batatinhas pequenas, de preferência com pele
- 🧄 6 dentes de alho laminados
- 🧅 1 cebola média cortada em meias-luas
- 🫒 180 ml de azeite virgem extra
- 🍷 100 ml de vinho branco
- 🌿 2 folhas de louro
- 🌿 1 molho pequeno de salsa picada
- 🌶️ 1 colher de chá de pimentão-doce
- 🧂 Sal q.b.
- 🌶️ Pimenta-preta q.b.
- 🍋 Sumo de meio limão
- 🥬 Grelos de couve ou couve-galega salteada, para servir
Modo de Preparo
Se me apetecer outra receita de bacalhau, lembro-me do Bacalhau à Brás na Airfryer e do Bacalhau à Brás, porque têm aquela alma portuguesa que me apetece num jantar de partilha. Hoje, no entanto, sigo por um caminho mais intenso: o polvo pede azeite generoso, alho e um forno quente que lhe dê cor sem o secar.
- Começo por aquecer o forno a 190 °C e coloco as batatinhas num tabuleiro com água a ferver e sal. Deixo-as cozer só até ficarem quase tenras, porque assim depois assam sem se desfazer.
- Se o polvo já estiver cozido, seco-o muito bem com papel de cozinha. Se estiver cru, cozinho-o primeiro em lume brando até ficar macio, deixando-o arrefecer um pouco antes de ir ao forno.
- Num tabuleiro largo, espalho a cebola, metade do alho laminado, o louro e metade do azeite. Gosto de criar logo esta base, porque o polvo vai apanhar aqui o primeiro perfume quente e salgado.
- Junto as batatas escorridas e dou-lhes um leve murro para abrirem e absorverem melhor o molho. Tempero com sal, pimenta e pimentão-doce, e envolvo tudo com cuidado.
- Disponho o polvo por cima das batatas, rego com o vinho branco e com o restante azeite, e levo ao forno durante cerca de 20 a 25 minutos. Nesta fase, vou espreitando para garantir que o azeite borbulha nas extremidades sem secar os tentáculos.
- A meio da cozedura, acrescento o resto do alho laminado para não queimar demasiado depressa. É esse alho dourado, quase doce, que me dá a sensação mais forte de lagareiro.
- Se quiser mais cor, ligo o grill nos últimos 2 a 3 minutos, sempre com atenção redobrada. O objetivo não é tostar o polvo em excesso, mas sim dar brilho e um pouco de aresta às batatas.
- Entretanto, salteio os grelos com um fio de azeite e uma pitada de sal, só até ficarem verdes e tenros. Também costumo acrescentar umas gotas de limão para lhes dar frescura.
- Retiro o tabuleiro do forno, polvilho com salsa picada e mais um pouco de limão se fizer sentido. Sirvo logo de seguida, porque este prato ganha muito quando chega à mesa ainda quente e com o azeite a envolver tudo.

Conclusao
Este polvo à lagareiro com batatas a murro é uma receita que me sabe a mesa portuguesa sem pressa. Tem a intensidade certa do mar, o conforto das batatas assadas e o perfume do alho e do azeite que fica na cozinha muito depois de a travessa desaparecer.
Gosto especialmente dele quando quero uma refeição com carácter, mas sem grandes complicações técnicas. Se lhe der tempo para ficar tenro e não o deixar secar no forno, o resultado é daqueles que me fazem repetir: polvo suculento, batatas macias por dentro, exteriores tostados e molho suficiente para pedir pão até ao fim.
